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06/02/2005 - Goiânia, 26 de setembro de 1987. Começa aí a história de uma operação de guerra ocultada e esquecida

Por Cláudia Viegas/ jornalista

Durante seis meses – desde o final de setembro de 1987 até 30 de março de 1988 – uma operação de guerra silenciosa foi realizada em Goiânia, envolvendo pelo menos 320 profissionais, entre os quais 220 do Consórcio Rodoviário Intermunicipal S.A. (CRISA) e cerca de cem policiais militares, sem contar trabalhadores avulsos.

A designação “operação de guerra", dada inclusive pelo então governador, Henrique Santillo, também médico, não foi casual. Apesar de não ter sido uma sucessão de batalhas com armas de fogo e mísseis, como usualmente costumam ser esses conflitos, as ações realizadas nesse período, na capital goiana, deixaram um rastro de desinformação, negligência, imprudência, doença e morte talvez mais grave do que as de um conflito armado. Foi, sem dúvida, uma situação incompatível com o espírito da Assembléia Nacional Constituinte que estava acontecendo justamente naquela época e que daria ao Brasil, em outubro de 1988, uma nova Constituição, na qual o princípio da precaução foi consagrado.


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29/01/2005 - Quase 18 anos depois, vítimas do Césio ainda esperam por justiça

Por Cláudia Viegas/ jornalista

No próximo dia 13 de setembro, fará 18 anos que uma cápsula de aproximadamente 100 quilos, contendo 19 gramas de Césio 137 – material radioativo com elevada atividade e tempo muito rápido de decaimento – foi aberta em um ferro-velho de Goiânia (GO), a seis quadras de onde hoje ficam as sedes dos governos estadual e municipal.

O material – mais exatamente, cloreto de Césio – utilizado em radioterapia, era de uma clínica de saúde, o Instituto Radiológico de Goiânia, localizado no centro da cidade, e que, na época, estava de mudança. Fora abandonado entre escombros, contrariando o princípio legal de que o gerador do resíduo é eternamente responsável pelo mesmo.

Ainda hoje, pessoas direta e indiretamente contaminadas reivindicam, na Justiça, direito a assistência médica e medicamentos, negado pelo governo federal. Algumas delas, da Associação das Vítimas do Césio 137, participam do 5º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), onde buscam apoio para esta finalidade.

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