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14/01/2008 - Neurologista questiona análise na morte encefálica
Crítica e instigante, assim foi a palestra ministrada no dia 17 de dezembro pelo neurologista Cícero Galli Coimbra na Escola Superior da Magistratura de Porto Alegre. O médico, que tem pós-doutorado na Suécia e trabalha e leciona em São Paulo, participou do lançamento da segunda revista Dossiê, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), expondo seus conhecimentos sobre morte encefálica, cujos critérios diagnósticos podem estar, segundo ele, equivocados e desperdiçando oportunidades de salvar vidas.
Conforme o palestrante, desde qu a mostre foi redefinida como emcefálica - necrose ou morte do tecido nervoso craniano - em substituição ao critério de parada respiratória, há 40 anos, ocorreram descobertas científicas que mudaram o entendimento da real condição fisiopatológica dos pacientes, abrindo possibilidades de tratamento. "Os procedimentos diagnósticos de morte encefálica e a inércia terapêutica consomem o tempo precioso que constitui a janela de oportunidade s de tratamento para salvar a vida de um potencial doador de órgãos e para a sua recuperação neurológica", afirma.
Em estudo realizado nos últimos anos, com embasamento em artigos escritos por uma diversificada gama de neurocirurgiões de todo o mundo, Coimbra critica uma das práticas mais utilizadas no diagnósticode morte encefálica: o Teste de Apnéia. A intervenção consiste em desligar o respirador por até 10 minutos, interrompendo a eliminação de gás carbônico pelos pulmões para a estimulação do centro respiratório espontâneo. No entanto, segundo o médico, a partir da década de 90, publicações médicas passaram a relatar a ocorrência de morte por parada cardíaca irreversível durante o teste, além de várias outras complicações clínicas graves.
Com a afirmação de que "o Teste de Apnéia é um desastre ético à beira do leito", o neurologista gaúcho encerrou o evento com a expectativa de que este cenário médico venha eventualmente a mudar, à medida que o assunto torne-se extensivamente discutido e conhecido, envolvendo um amplo espectro de médicos, pesquisadores e profissionais de diversas áreas, como juristas.
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