Se você não é um usuário cadastrado,
     clique aqui para se cadastrar.

.: Busca
Como utilizar o Busca?
.: Newsletter

Cadastre-se e receba novidades em seu e-mail.
Nome:
E-Mail:
 

  .: Enquete

Nenhuma enquete disponivel no momento


 

  << Voltar

06/04/2006 - Há muitos tipos de consciência dentro de um cérebro danificado

Este cenário emergente deveria tornar fácil aos médicos julgar quais pacientes com danos encefálicos têm alguma esperança de recuperar a consicência, dizem especialistas, e prontamente providenciar pistas para os processos cerebrais específicos que sustentam a consciência.

“O entendimento de quais são esses processos nos darão um melhor sentido de como ajudar a faixa total de pessoas vivendo com danos encefálicos", disse o Dr. Nicholas Schiff, professor assistente de Neurologia e Neurociência do hospital Presbiteriano de Nova Iorque Weill Cornell. "É para onde este campo está ultimamente dirigido: rumo a um melhor entendimento do que é a consciência.”

O estado de inconsciência mais familiar é o sono, que, em suas fases mais profundas, é caracterizado por pequena atividade elétrica no cérebro e por quase completa irresponsividade. Coma, o mais amplamente conhecido estado de inconsciência reduzida, é, de fato, um contínuo. Médicos calculam a extensão na qual uma pessoa em coma mostra respostas de dor e reações a sons verbais em uma escala de 3, para não resposta, a 13, para respostas consistentes.

Enquanto dormindo, uma pessoa em coma pode mover-se ou fazer sons e tipicamente não ter memória. Mas quase sempre emerge desse estado em duas ou três semanas, dizem os médicos, quando os olhos abrem-se espontaneamente. O que se segue é crítico para a recuperação da pessoa.

Aqueles que têm sorte, ou que apresentam danos menos severos, gradualmente despertam. “A primeira coisa que me lembro era de ter falado a meu ex-namorado, que estava ao pé da cama, na entrada da porta", disse Trisha Meili, que entrou em coma após ser agredida e estuprada em 1990, e escreveu a respeito de sua experiência no livro "Eu Sou a Corredora do Central Park".

Nos dias seguintes a esta memória, Ms. Meili disse, ela moveu-se entre estados dentro e for a de consciência, “como se meu corpo tomasse conta das coisas mais importantes primeiro, e eu vivesse momento a momento da consciência no final”.

De fato, dizem os pesquisadores, é exatamente isto o que acontece. O primitivo tronco encefálico, que controla os ciclos de sono e vigília, bem como os reflexos, avalia-se primeiro, enquanto os olhos abrem. Idealmente, áreas do córtex cerebral, a base do pensamento consciente, rapidamente seguem, como luzes relâmpago nos andares de cima de uma casa escura.

Mas em alguns casos – o da Sra. Schiavo era um deles – as áreas corticais fracassam em se conectar, e o prognóstico do paciente torna-se um alerta. Neurologistas foram unânimes no diagnóstico das condições da Sra. Schiavo, cujo coração parou temporariamente em 1990, privando seu cérebro de oxigênio. As celular cerebrais e as conexões neurais enfraqueceram e morreram sem oxigênio, como a vida marinha em um lago drenado, deixando virtualmente nada que não tivesse sid prejudicado.

Pessoas com este tipo de danos - Nancy Cruzan, cujo caso chegou à Suprema Corte, em 1990, é um exemplo – quase sempre permanecem irresponsivas se não retomam a consciência nos primeiros meses após o dano.

Em termos medicos, tornam-se persistentemente vegetativas, um diagnóstico descrito pela primeira vez em 1972 pelo Dr. Fred Plum, da Universidade de Cornell, e pelo Dr. Bryan Jennett, um neurocirurgião da Universidade de Glasgow, na Escócia. De certa forma, a descrição deste diagnóstico deu início ao estudo moderno das desordens da consciência. "Antes de 1972, as pessoas falavam a respeito de comas permanentes, ou comas irreversíveis, mas nós definimos um estado totalmente diferente, com os olhos abertos, alguma atividade reflexa, mas nenhum sinal de responsividade sicológica significativa", afirmou o Dr. Jennett, hoje professor emérito, em uma entrevista.

Em uma revisão exaustiva das histórias médicas de mais de 700 pacientes em estado vegetativo persistente, um grupo de médicos, em 1994, reportou que apenas cerca de15% deles que sofria de danos encefálicos por privação de oxigênio, como a Sra. Schiavo, recuperou alguma consciência em três meses. Depois disto, contudo, muito poucos recuperaram e nenhum o fez após dois anos.

Cerca de 52% das pessoas com feridas traumáticas em suas cabeças, freqüentemente por acidentes de carro, recuperam alguma consciência no primeiro ano após o dano, concluiu o estudo; muito poucas recuperam-se após isto. "Esta é a diferença entre ficar prejudicado no cérebro, em uma área que afeta um local, e ficar prejudicado em todo o cérebro", disse o Dr. Joseph Fins, chefe da divisão de Ética Médica do Hospital Presbiteriano de Nova Iorque Weill Cornell.

Contudo, essas estatísticas não conseguem explicar casos de recuperação memoráveis que surgiram durante o debate sobre o destino da Sra. Schiavo. Foi o caso de Terry Wallis, um mecânico de Arkansas que recuperou a consciência em 2003, mais de 18 anos depois de cair inconsciente ao sofrer um acidente de carro; foi também o caso de Sarah Scantlin, uma mulher do Kansas que, também vítima de acidente de carro, emergiu de um estado similar após 19 anos; e vários outros, cujo espírito coletivo humano parece desafiar os especialistas e fraudar a ciência.

Pesquisadores afirmam que esses casos podem ser contados por meio de recentes estudos que indicam a existência de um outro estado de responsividade menos intensa, que representa uma clara ruptura com o vegetativo.

Durante anos, os médicos especializados em reabilitação sabiam que alguns de seus pacientes com danos severos no cérebro eram responsivos, pelo menos uma vez que outra. Em seus bons momentos, esses pacientes podiam seguir objetos com seus olhos. Podiam seguir comandos, como o de pegar um copo, ou apertar a mão de alguém. Eles estavam – intermitentemente, falsamente, mas inequivocamente - responsivos.

Em um painel de 2002, especialistas estabeleceram um novo diagnóstico com base exatamente nessas reações: o estado mínimo de consciência. "Levou anos para conseguir-se algum acordo sobre a definição, e somente agora está se obtendo alguma aceitação", disse o Dr. Nancy Childs, do Centro de Reabilitação Neurológica do Texas, em Austin, "mas nós sabíamos há anos que havia este outro grupo."

Em um estudo proeminente publicado em fevereiro, um grupo de neurocientistas de Nova Iorque, Nova Jersey e Washington, liderado pelo Dr. Schiff, usou a tecnologia de imagens para comparar a atividade cerebral em dois homens jovens considerados minimamente conscientes com a atividade cerebral de sete mulheres e homens saudáveis. Esses pesquisadores gravaram um audioteipe para cada um dos nove sujeitos no qual um parente ou pessoa querida contou histórias familiares ou recordou experiências que compartilharam. Em cada um dos pacientes com dano encefálico, o som da voz disparou um modelo de atividade cerebral similar à dos participantes saudáveis. O grupo então replicou os resultados em outros pacientes minimamente consicentes.

Como um conjunto de luzes de Natal, acendendo e apagando, as conexões neurais em pacientes minimamente conscientes parecem ocorrer, sugere a pesquisa. Em cérebros persistentemente vegetativos, em contraste, as conexões cruciais são aparentemente muito breves: talvez uma luz pisque aqui, outra lá, mas a rede, como um todo, é escura.

Um caso, de uma mulher inglesa de 26 anos, chamada Kate, que emergiu de um estado de inconsciência menos intenso após seis meses, sugere que tais pacientes podem, por vezes, estar agudamente conscientes do que acontece a seu redor. Durante a reabilitação mesmo com a incapacidade de se comunicar, a mulher recebeu a visita de uma amiga de estudos.

"Eu havia recém encontrado uma velha amiga da Universidade e isto realmente me chateou", recordou-se a mulher, segundo relataram os médicos. "Eu posso agora ver o quanto estava esquecida. Ela foi casada por cinco anos e tem um lar e uma vida. Eu apenas gritei, já que não podia chorar, o que eu teria feito, se pudesse." A recuperação de dano encefálico severo é vista, neste novo entendimento, como um passo sábio na progressão: pessoas que recuperam a consciência passam de coma para um estado vegetativo de consciência mínima – e quase sempre o fazem tão rápido, geralmente dentro de um mês após saírem do coma. Aqueles que recuperam a consciência dentro de horas após emergirem do coma provavelmente também passam pela mesma progressão, mas as mudanças são tão sutis que permanecem imperceptíveis, dizem alguns especialistas.

"Se você olhar para os casos de recuperação mais de perto, concluirá que muitos desses pacientes estavam mostrando sinais de consciência muito mais cedo do que às vezes é relatado pela mídia, disse o Dr. Fins, do hospital Presbiteriano de Nova Iorque.

Os pesquisadores sabem pouco sobre como retirar uma pessoa de um estado de consciência mínimo, que, por si mesmo, pode durar uma vida inteira. Em um estudo com 124 pacientes com danos encefálicos, médicos da Filadélfia e de Nova Jersey relataram, em março, que a amantadina, uma droga para o mal de Parkinson, parecia acelerar a recuperação em algumas pessoas. Mas a evidência não foi definitiva, requererá confirmações, escreveram os autores.

A reabilitação, tipicamente como é, inclui suporte à vida, se necessário, e visitas regulares à equipe médica, tipicamente para mudar a posição do paciente na cama e estimular os sentidos com luzes brilhantes, ruídos, aromas delicados e paladares, incluindo de limão e chocolate. "Eu sempre digo às famílias que é tempo da natureza e de Deus tomarem conta das coisas, que o que nós precisamos principalmente fazer é monitorar os pacientes", disse o Dr. Childs.

O Dr. Joseph Giacino, neuropsicólogo do Instituto de Reabilitação JFK Johnson, em Edison, Nova Jersey, tem acompanhado um grupo de pacientes com danos encefálicos com privação de oxigênio e danos traumáticos, e conclui que o grupo com danos traumáticos – se se tornam minimamente conscientes – são mais propensos a mostrar sinais de descoberta do que outros. "Há uma separação real entre esses pacientes e outros em termos de melhoria no primeiro ano", afirmou o Dr. Giacino.

A Sra. Schiavo não mostrou evidência de ter entrado em estado de mínima consciência, mesmo no início dos anos 90 ou depois, disseram os neurologistas. Um eletroencefalograma de seu córtex cerebral mostrou quase nenhuma atividade elétrica, afirmou um neurologista que a examinou, e uma dúzia de especialistas que intervieram no seu caso concordou que uma ressonância magnética (M.R.I.) não acrescentou informações.

No estudo do Dr. Schiff comparando a atividade de M.R.I.de mínima consciência com sujeitos normais, os pesquisadores também encontraram diferença sutil. A taxa total de consumo de energia foi significativamente maior em cérebros normais do que naqueles em estado de consciência mínima. Esta diferença, em velocidade lenta, pode ser crucial para manter a consciência, sugerem o Dr. Schiff e outros.

Em razão de os sinais entre as cellular cerebrais requererem que uma supere a outra, disse o Dr. Schiff, uma velocidade a um ritmo menor pode fazer com que a faixa de sinalização seja de superação difícil – desencorajando, efetivamente, a atividade através do cérebro. "A idéia é que talvez se você tivesse ativado esse substrato, você poderia cruzar a faixa e gerar atividade suficiente" para produzir mais consciência, disse ele.

Fonte: The New York Times


 

As publicações do site Biodireito Medicina podem ser publicadas em outros sites ou divulgados por qualquer meio de comunicação, desde que (a) não alterem o texto, (b) não ocultem o link de origem que deve ser mostrado com a postagem e ser link ativo, (c) coloquem com destaque o endereço www.biodireito-medicina.com.br , (d) não seja omitido nome e endereço dos autores.