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26/02/2005 - Caso Terri: Juiz ordena para 18 de março a retirada de tubos.
Vaticano se manifesta


A decisão do juiz do Condado de Pinellas, George Greer, certamente será objeto de apelação, e outro adiamento poderá ocorrer porque o governador da Flórida, Jeb Bush , e vários membros do legislativo daquele Estado, disseram que farão o que for legalmente possível para manter Schiavo viva. O Departamento de Famílias e Crianças do Estado está tentando adiar a remoção do tubo para investigar alegações de abuso recebidas por telefone.

Os pais de Terri Schiavo, Robert e Mary Schindler – que estão tentando fazer com que o marido dela, Michael Schiavo, pare de ordenar a remoção dos tubos – tinham a esperança de persuadir Greer a conceder uma sentença emergencial de adiamento para resolver um conjunto de questões legais. Mas o juiz escreveu que cinco anos depois de sua primeira ordem permitindo a remoção dos tubos "parece não haver finalidade à vista". Conceder novo adiamento, disse, provaria que "o processo não funciona".

"Sempre haverá 'novas' questões que poderão ser alegadas", escreveu.

Os pais de Terri Schiavo, que contaram com o apoio de grupos de direitos humanos e defensores de pessoas incapacitadas, já estiveram nesta situação antes. Os tubos de alimentação de sua filha foram removidos duas vezes, anteriormente, e apenas foram reinseridos devido a determinações judiciais e, mais recentemente, porque Bush conseguiu que passasse uma lei, no ano passado, permitindo-lhe ordenar a restauração do suporte à vida de Terri Schiavo seis dias depois de os tubos terem sido removidos. A lei foi derrubada pela Suprema Corte da Flórida, mas Bush disse, nesta semana, que ele está explorando outras opções. Seu escritório recebeu mais de 34 mil e-mails e centenas de telefonemas, nesta semana, a respeito do caso.

"Há muitas coisas que pensamos que devem ser ouvidas pela Corte", disse Robert Schindler aos repórteres, na sexta-feira (25/2), do lado de fora da Corte do Condado de Pinellas, em Clearwater (Flórida). "Eles estão realmente limitando o tempo."

Michael Schiavo, cuja residência foi alvo de manifestantes, nesta semana, disse, em uma declaração liberada por seus procuradores, que "eu estou muito contente que a Corte reconheceu que deve haver uma objetividade neste processo. Estou esperançoso e confiante em que a Corte de apelações também vai concordar que os desejos de Terri de não ser mantida viva artificialmente devam ser reforçados".

Os procuradores dos Schindler vão agora recorrer da decisão da Corte para pressionar o argumento de que Michael Schiavo seja retirado da condição de guardião. Eles também estão tentando adiar a remoção do tubo porque novos estudos médicos sugerem que Schiavo pode estar "minimamente consicente", ao invés de em estado vegetativo. A religião de Terri Schiavo aposta em um requerimento de adiamento porque seus pais dizem que ela era uma católica praticante e poderia querer que os médicos considerassem a declaração geral do Papa João Paulo II, no ano passado, segundo a qual a eutanásia é pecado.

O Vaticano engajou-se no caso ainda mais diretamente na sexta-feira (25/2) durante comentários difundidos pela Rádio do Vaticano pelo cardeal Renato Martino, líder do Pontifício Conselho para Justiça e Paz.

"Se o Sr. Schiavo for legalmente bem-sucedido em provocar a morte de sua esposa", disse Martino, "isto não apenas será trágico por si mesmo, mas poderá ser um passo sério rumo à aprovação legal da eutanásia nos Estados Unidos." (Washington Post, 26/2)

Fonte: Washington Post

 

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