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25/11/2005 - A origem da vida e do ser humano e o aborto
Embriologia quer dizer o estudo dos embriões. Entretanto, refere-se, atualmente, ao estudo do desenvolvimento de embriões e fetos.
Surgiu com o aumento da sensibilidade dos microscópios. Karl Ernst von Baer observou, em 1827, o ovo ou zigoto em divisão na tuba uterina e o blastocisto no útero de animais.
Nas suas obras, Ueber Entwicklungsgeschiechteb der Tiere e Beabachtung and Reflexion descreveu os estágios correspondentes do desenvolvimento do embrião. Por isto é chamado de "pai da Embriologia moderna".
Em 1839, Schleiden e Schwan, ao formularem a Teoria Celular, foram
responsáveis por grandes avanços da Embriologia. Conforme tal conceito, o
corpo é composto por células, o que leva à compreensão de que o embrião se
forma a partir de uma ÚNICA célula, o zigoto, que por muitas divisões
celulares forma os tecidos e órgãos de todo ser vivo, em particular o
humano.
Com base nestas evidências experimentais, o Papa Pio IX aceitou a
concepção como a origem do ser humano, em 1869. Não se trata, portanto, de
um dogma religioso, mas da aceitação de um fato cientificamente comprovado.
Para não dizer que se trata de conceitos ultrapassados, pode-se verificar
que TODOS os textos de Embriologia Humana consultados, nas suas últimas
edições, afirmam que o desenvolvimento humano se inicia quando o ovócito é
fertilizado pelo espermatozóide. TODOS afirmam que o desenvolvimento humano é a expressão do fluxo irreversível de eventos biológicos ao longo do tempo, que só pára com a morte.
TODOS nós passamos pelas mesmas fases do desenvolvimento intra-uterino: fomos um ovo, uma mórula, um blastocisto, um feto. Em todos os textos, os autores expressam sua admiração de como uma célula, o ovo, dá origem a algo tão complexo como o ser humano. Alguns
afirmam tratar-se de um milagre.
Em 2002, na revista Nature, Helen Pearson relata os experimentos de R.Gardener e Magdalena Zernicka-Goetz, onde demonstram que o nosso destino está determinado no primeiro dia, no momento da concepção. Mais
recentemente, também na Nature (2005), Y. Sasai descreve os
fatores/proteínas que controlam o desenvolvimento do embrião a partir da
concepção, descobertos por Dupont e colaboradores.
O embriologista Lewis Wolpert chega a afirmar que o momento em que o ovo começa a se dividir é o momento mais importante de nossa vida, mais que o nascimento, casamento ou morte.
Tenta-se atualmente, através de uma retórica ideológica, justificar a morte
de embriões e fetos com argumentos despidos de fundamentos científicos, tais
como: "Não sabemos quando começa a vida do ser humano". Pelo visto acima, não é verdade. "O embrião humano é um montinho de células". Se fossem células comuns, certos pesquisadores não estariam tão interessados nelas.
São tão extraordinárias que dão origem a um indivíduo completo. "O embrião
humano não tem cérebro e é comparável à morte cerebral". Comparação absurda, pois a morte cerebral é uma situação irreversível - não há maneira de
recuperar os neurônios mortos - e o embrião dispõe das células
pluripotentes, que vão originar o cérebro.
"O embrião com menos de 14 dias
não tem consciência porque não tem tecido neural". Mas este argumento
decorre apenas e tão somente da separação entre mente/alma e o corpo operada pela filosofia cartesiana.
PRIMEIRA CONCLUSÃO:
O ser humano, desde o ovo até o adulto, passa por
diversas fases do desenvolvimento (ontogenia), mas em todas elas trata-se do
mesmo indivíduo que, continuamente, se auto-constrói e se auto-organiza. Por
ser o ciclo do desenvolvimento humano relativamente longo, podemos perder a visão do todo, fixando-nos em suas partes. Daí o surgimento de estatutos que
regulam fases da vida humana: o das crianças e adolescentes e o dos idosos.
Torna-se necessário agora o "Estatuto dos Embriões e Fetos" ou o "Estatuto
do Nascituro", para evitar que os mesmos sejam assassinados por qualquer
motivo.
Alguns utilitaristas, frente à realidade destes fatos, passam agora à
sociedade a responsabilidade de decidir sobre a morte do embrião e fetos
humanos, já que são aceitos transplantes de órgãos de um indivíduo com morte
encefálica.
Contrapondo, há católicos, evangélicos, espíritas, budistas que,
por motivação religiosa, têm a obrigação de se colocarem em defesa de uma
população tão vulnerável como a dos nascituros, em defesa, enfim, da
dignidade humana.
Assim, ser a favor da descriminalização do aborto equivale a ser conivente
com o assassinato de embriões e fetos que, como vimos, já são vidas humanas.
E, com isso, não há como concordar.
Atualmente, não se discute a realidade dos fatos biologicamente comprovados.
Aceita-se que se está matando um ser humano através do aborto. Buscam agora
justificativas "sociais" e para isto dão números falsos: O DataSUS relata
115 mortes de mulheres em 2004, no Brasil, causadas por aborto (a pesquisa
não especifica se foram abortos provocados, ilegais, etc.). São enganosas as
estatísticas de milhões de mortes referidas pelos que são favoráveis ao
aborto.
Com relação às mulheres grávidas pobres das favelas de São Paulo, e
principalmente as adolescentes, quando entrevistadas, afirmaram que seus
filhos são desejados, recusaram o aborto. Querem atendimento médico e
melhores condições de vida para criar seus filhos.
Ao precário atendimento do SUS quer se acrescentar o aborto. Nesta fila de
espera, a gestante que deseja abortar poderá dar à luz a criança quando
chegar a sua vez de ser atendida. Além disso, com tantos problemas de saúde
mal atendidos ou mal resolvidos pelo SUS, não há sentido em priorizar o
aborto, como querem as feministas.
Quanto às vítimas de estupro, que já sofreram um ato de grande violência,
não tem cabimento se propor outro ato de igual violência, como o aborto. Num
levantamento realizado em 2004 na UNIFESP, verificou-se que 80% destas
mulheres grávidas por estupro se recusaram a abortar, e estão contentes com
os filhos, enquanto que as 20% que realizaram o aborto estão arrependidas.
SEGUNDA CONCLUSÃO:
Não há justificativas, seja éticas, seja científicas ou
sociais, para se legalizar este proposto holocausto em nosso país.
(*)Alice Teixeira Ferreira é médica formada em 1967 na Escola Paulista de Medicina, Livre Docente de Biofísica e coordenadora do
Núcleo Interdisciplinar de Bioética da UNIFESP
Fonte: Zenit.org, 25/11/2005
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