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18/01/2005 - 5 Sugestão de base teórica para aprofundar o estudo
5.1 Capacidades tecnológicas e sua importância no gerenciamento de resíduos


O panorama apresentado com respeito à geração de resíduos industriais no Vale do Sinos deixa a desejar especialmente quanto ao detalhamento dos aspectos operacionais da gestão de resíduos nos consórcios, fundações, centrais e outros tipos de organizações constituídos pelas empresas, coletivamente, para dar destino aos resíduos derivado de seus processos.
A simples coleta de dados sobre a geração e a localização dos resíduos perigosos e não perigosos, apesar de ser de extrema utilidade para o planejamento de ações de fiscalização e licenciamento ambiental, no âmbito das políticas públicas de meio ambiente, não preenche os requisitos de um tipo de avaliação cada vez mais necessária para melhorar e ampliar o escopo de planejamento e ação das centrais existentes e das que provavelmente ainda serão instaladas.

O estudo necessário, aqui defendido, diz respeito à avaliação de capacidades tecnológicas presentes e latentes na organização – mesmo que precária, em alguns casos – dessas centrais de resíduos.
De acordo com Lall (1992), diferentes graus de acúmulo de tecnologia, conhecimentos, experiências e aprendizagens levam as empresas, mesmo que muito semelhantes em suas atividades e processos, a apresentarem diferenciais de desempenho.
Estes diferenciais nada mais são do que as capacidades dos indivíduos que estão por trás do gerenciamento. Eles incluem desde os “macetes” que as pessoas adotam para melhorar operações e processos necessários à realização de um trabalho até os novos conhecimentos que incorporam por meio de leituras, troca de informações com pares de sua comunidade de trabalho e as habilidades que incorporam na busca e no uso de novas tecnologias e de novos relacionamentos – com clientes e fornecedores.

Em sentido mais amplo, as capacidades tecnológicas estão relacionadas à forma como os indivíduos gerenciam as inovações, ou seja, aos diferenciais de uso efetivo dessas inovações (VIEGAS, 1997).
Supõe-se que, de forma análoga ao que acontece com as empresas, individualmente, os consórcios, fundações ou outras formas de organizações administrativas para o gerenciamento de resíduos industriais apresentem resultados diferentes entre si em função das capacidades tecnológicas desenvolvidas pelos profissionais responsáveis pela gestão dos resíduos – tanto os profissionais internos a cada empresa participante da central quanto os gerentes das centrais.
Supõe-se ainda que o relato da “história de vida” de cada central, assim como o da história de trabalho dos profissionais com ela envolvidos, possa trazer elementos capazes de não apenas explicar os diferenciais de desempenho, mas de potencializar o gerenciamento dessas centrais com vistas à melhoria de resultados e, mais, de conduzirem à elaboração de formas de gerenciamento eficazes para empresas que estão iniciando suas atividades no compartilhamento da gestão de resíduos.

 

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