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18/01/2005 - 5.2 Relações entre capacidades tecnológicas e gestão de resíduos industriais: proposta de análise

Sanjaya Lall (1992) propõe uma classificação para capacidades tecnológicas em três níveis: básico, intermediário e avançado.
O nível básico equivale às melhorias efetuadas internamente na organização, como manutenção de equipamentos e máquinas, controle da qualidade de processos e produtos. Numa central de resíduos, corresponderia, por exemplo, a incrementos na maneira de organizar a coleta e/ou recepção dos resíduos, ao aperfeiçoamento dos sistemas de registro de dados referentes aos resíduos coletados, ao treinamento do responsável e demais envolvidos na gestão, pois existem centrais em que as tarefas são divididas internamente à central, com o emprego de recursos humanos auxiliares ao gerente.
Há também a necessidade de considerar como básicas as capacidades tecnológicas de profissionais das empresas participantes do gerenciamento de resíduos que estão localizados “externamente” às centrais, como os engenheiros de processo e qualidade, por exemplo.

O nível intermediário corresponde ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas decorrentes do relacionamento dos envolvidos na gestão de resíduos com fornecedores e clientes. Neste nível, portanto, extrapolam-se as considerações das habilidades e conhecimentos em um enfoque individual, estendendo-as para um enfoque coletivo, estabelecido no âmbito dos contatos que os profissionais efetuam com seus pares e com profissionais de outras áreas e realidades.
As capacidades tecnológicas intermediárias estão relacionadas também com pesquisa e desenvolvimento, difusão de inovações (máquinas, processos e operações), enfim, com tudo que envolva negociação e absorção/transferência de conhecimentos e aprendizagens. A intensificação da aplicação de normas de gestão ambiental, indo além do simples cumprimento da legislação, denota, por exemplo, a inserção das capacidades tecnológicas intermediárias nas centrais de resíduos.

Já o nível avançado identifica-se à medida que a organização passa a ser um modelo de excelência em gestão, oferecendo sistemas de operação e melhorias consolidadas que podem ser imitados ou adaptados por outras realidades do seu setor, reconhecidamente mais carentes em conhecimentos, habilidades e experiências. Corresponde também ao nível em que a organização apresenta condições de captar investimentos para sua própria expansão e/ou para transferir tecnologia para terceiros.
Neste nível, tanto a formação de recursos humanos quanto os processos internos e as negociações estabelecidas pela organização refletem o uso dos mais avançados instrumentos, de forma que a própria organização apareça e projete-se como um modelo de excelência para as demais.

Evidentemente, esta classificação, adaptada à realidade das centrais de resíduos, requer um maior detalhamento para a sua plena identificação. Isto implica a necessidade de introduzirem-se estudos em nível de análise das formas de gestão adotadas por estas centrais – estudos exploratórios que possam trazer à tona indicadores de capacidades tecnológicas correspondentes a cada um desses níveis propostos originalmente por Lall (1992).
O primeiro passo para a consecução da análise das capacidades tecnológicas nas centrais de resíduos industriais do Vale do Sinos, portanto, é a implementação de surveys que identifiquem estilos de gestão a partir do comportamento de trabalho dos gestores, da análise das dificuldades que enfrentam no seu dia-a-dia e das formas como resolvem problemas e implantam melhorias.

 

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